09/09/2015

Nocturno n. 6

o ladrar dos cães fere a noite
há um mormaço inerte que adormece
sobre todos, sobretudo na cidade
cujas vias públicas mal iluminadas
referendam o triste tempo em que vivemos:
ecoa minha voz pelos vãos das esquinas
- um sonho em que grito nomes proibidos
e teu corpo ali na sombra quente
suado & sacro
feito um arquipélago preservado
em meio à deriva de existências

enquanto durmo
recito poemas em línguas mortas
sou um sonâmbulo semeando
versos que ouvi e decorei
sobre o que eras escuras eras em que
estive distante
cosendo tua lembrança
singrando perdido
pelas tontas vias do
que não vi


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