10/04/2015

Elegia

para o teu corpo ausência
(-plaga distante,
minha canaã)
levo meu pensamento
e no emaranhado
dos teus cabelos
(-onde há o enleio dos dedos,
o passeio nas horas,
doçura no tempo?)
encontro o desejo

de longe
(- beijo anunciado aos ventos)
do lugar em que te imagino
sinto tua carne, a vibração
e tua face com gosto de lonjura

(-pudesse eu romper a terra!
atravessá-la, como fazem estradas
e, como um rio que se desloca sinuoso
farejar teus passos a ponto de vê-la,
mulher, esperando meu carinho!)

penso, enfim:
haverá o dia, claro como manhã de outono,
em que terei teu peito próximo
pulsando o quente sangue da paixão.

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