06/01/2015

Véspera

limpo a casa, lavo a louça, acarinho o gato.
preparo a janta, faço um café, assovio.
sento-me no sofá, acendo um cigarro, fumo.
tomo uma cerveja, arranho o violão, canto.

reflito sobre
as variáveis implicações
do destino:
há sol, há vida, há gente,
outdoors iluminados, buzinas,
prédios altíssimos,
casais que se amam,
crianças chorando
e cães que latem
e mães que sofrem a falta do filho.

ando só
desvio os olhos ao passar pelas pessoas
finjo falar ao telefone quando há conhecidos perto de mim
não ando de bicicleta
quase morri afogado
bebo em demasia

à noite, quando me deito,
reviro-me na cama e raramente durmo.

mas há em mim o desejo de viver
e com ele guardado na carteira
vou caminhando ao desconhecido
rumor das horas que se anunciam
no horizonte das nossas paixões.

Nenhum comentário:

Postar um comentário